segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Hollywood - Charles Bukowski


Neste admirável romance, Charles Bukowski é Henry Chinaski, velho bêbedo amante da folia, das mulheres e das corridas de cavalos. Desta vez o alter ego de Bukowski descreve o behind the scenes do filme “BarFly”, cujo guião foi escrito por si, protagonizado por Mickey Rourke e Faye Dunaway e realizado por Barbet Schroeder.

Na sua forma única, enriquecendo os diálogos, tornando-os reais aos olhos dos leitores, este grande vulto da literatura contemporânea recente, leva-nos num tour aos meandros cínicos e hipócritas de Hollywood. O estrelato vulgar dos actores, as exigências e mentiras dos produtores, os sonhos dos realizadores.

Mais uma vez, Charles Bukowski não desilude em mais um romance recentemente traduzido e editado pela Alfaguara. “Hollywood” tem todas as características para se transformar numa obra de culto.

A vida real no seu estado mais puro, ou talvez não. É melhor adjectivá-la como embriagada. Caso contrários, os amantes do autor e a sua obra (onde estou incluído) fazem-me a folha. Parabéns à editora pela aposta.

Nota: 5

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Total Recall



O Total Recall de que me recordo é um marco no início da minha adolescência. Um filme de 1990, vanguardista da ficção científica, na linha imaginativa de Blade Runner ou Dune, com a mão mágica de Paul Verhoeven e Mario Kassar.

Baseado num conto de Philip K. Dick, conta-nos a história de um homem simples que quer viajar até Marte  induzido por uma máquina de fabricar memórias e químicos psicadélicos. O mundo transforma-se completamente e é impossível distinguir quem é amigo ou inimigo, qual a realidade e a ficção. Mas, quando me disseram que ia sair um remake do Total Recall, pensei para comigo: vai ser difícil de superar. Enfim, lá arrisquei.

Não foi só dificil!  Conseguiram destruir uma obra inimitável em 2 horas de copy/paste. As únicas coisas válidas neste novo Total Recall são a Kate Beckinsale e a Jessica Biel.  Demasiado mau para ser verdade. Não gastem o vosso dinheiro. Se gostam de apostar... escolham o original!

Nota: 2

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Joseph Anton - Salman Rushdie‏



Um livro de memórias, uma autobiografia escrita na terceira pessoa, um livro de espiação ou talvez uma confissão de mais de setecentas páginas.

Este novo livro de Salman Rushdie, "Joseph Anton", serve essencialmente para nos contar os acontecimentos da vida pessoal do escritor que, em 1989, foi condenado à morte pelo lider religioso do Irão, o Ayatollah Ruhollah Khomeini, por ter escrito um suposto livro que insultava o Islão, "Os Versículos Satânicos".

Os anos de exílio, o medo, o terror, a necessidade de mudar de casa várias vezes, as traições das pessoas que estavam mais perto, os amigos que consolidou e criou e que o apoiaram até fim do degredo. Para além deste periodo, Rushdie escreve sobre todos os periodos importantes da sua vida (até os menos importantes): a infância, a adolescência, a vida académica, a relação atribulada com o pai, a construção de todos os seus livros e as suas motivações. As suas mulheres, os seus filhos, os seus amigos, escritores, editores, jornalistas e até agentes de segurança. Todas a pessoas que directa e indirectamente estiveram envolvidos na sua vida.

Joseph Anton foi o nome escolhido pelo escritor durante os anos de exílio. Um nome falso mas baseado em dois vultos da literatura, Joseph Conrad e Anton Tchékhov.

Joseph Anton é um livro forte que consolida e transforma um grande escritor, um vulto literário banhado pela controvérsia, num simples homem. Um homem com sonhos, medos e memória.

Nota: 4

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hemingway & Gellhorn‏



Num periodo em que os ideais queriam dizer alguma coisa, em que as causas só eram perdidas depois da morte, ou talvez após o abraço da eternidade, Martha Gellhorn, jovem jornalista, conhece Ernest Hemingway e seguem, como correspondentes de guerra, para Madrid, cobrindo a Guerra Civil de Espanha.

Durante o conflito nasce uma paixão estonteante entre os dois. Identificam-se um com o outro. Bebem um do outro por longas noites debaixo dos bombardeamentos nacionalistas. Casam-se quando chegam a Cuba e vivem momentos de curta felicidade. Gellhorn quer viver a sua vida e recusa-se a viver na sombra do grande romancista. Quer cobrir conflitos por todo o mundo, quer escrever sobre as pessoas por detrás da Guerra. Quer descrever os seres humanos que sofrem com os horrores da guerra. Quer ver com os seus olhos, como correspondente de guerra, a realidade crua das vítimas do pesadelo bélico.

Esta história deveria ter sido contada no grande ecrã e aflige-me solenemente o facto de ter sido passada a mini-série. Diminuida como se algo de secundário se tratasse. 

Com uma Nicole Kidman estonteante e um menor Clive Owen, este Hemingway & Gellhorn, passou ao lado da grande maioria dos amantes da arte da representação.

Kidman interpreta um dos seus maiores papeis, como a carismática Mrs. Hemingway número três, ou melhor, a explosiva, corajosa e humana, Martha Gellhorn.

Esta mini-série da HBO causou-me sentimentos mistos. 

Actores formidáveis como Nicole Kidman, David Strathairn (como John dos Passos), Rodrigo Santoro (como o revolucionário Paco Zarra), Tony Shalhoub (como o jornalista estalinista Mikhail Koltsov), Santiago Cabrera (como o grande fotográfo Robert Capa). Ou mesmo participações especiais do grande Robert Duvall ou do baterista dos Metallica, Lars Ulrich.

Tudo isto para uma infeliz e mediocre produção. Esta história merecia ser melhor contada.

Nota: 3

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A Bronx Tale



Ontem, ao passar por um quiosque de rua, daqueles que vendem jornais e tabaco à antiga, deparei-me com um dvd à venda (a preço de saldo) de um dos filmes que mais marcou o início da minha vida adulta.

Era "A Bronx Tale", película fantástia realizada e protagonizada por Robert De Niro.

Este filme conta-nos a vida e o crescimento de um miúdo chamado Calogero, num perigoso bairro italiano do Bronx Nova Iorquino. Filho de um condutor de autocarros, este jovem é testemunha de um assassinato de um homem pelo mafioso Sonny, interpretado de forma excelente por Chazz Palminteri. A partir desse momento, a sua vida muda e conhece-se homem num mundo dominado pela Máfia.

Quem já viu sabe porque falo desta forma deste filme. Quem ainda não viu fica aqui a recomendação. Não podem perder este tesouro!

Nota: 5

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Mão do Diabo - José Rodrigues dos Santos



José Rodrigues dos Santos, como escritor, continua a cativar adeptos do seu estilo único de "romancista pedagógico".

Desta vez volta com a sua mais famosa personagem e alter-ego, Tomás Noronha, lançando-o para o cenário mais actual possível - a crise económica, financeira e social.

A crise que surgiu em 2008 nos Estados Unidos com a explosão da bolha do mercado imobiliário, o seu contágio ao resto do mundo, a entrada da China nos mercados e as crises de dívida pública nos países do Sul da Europa, precipitaram a crise da Zona Euro. 

A teoria do fracasso da moeda única, com respectivas causas e consequências, transforma "A Mão do Diabo" numa obra obrigatória.

É verdade que José Rodrigues dos Santos escreve paras as massas. A linguagem é simples, os enredos fantasiosos e inverosímeis (como os grandes blockbusters de Hollywood), mas são só uma concha, uma capa para a verdadeira missão do jornalista português: informar. Onde outros falham e continuam a falhar, José Rodrigues dos Santos brilha.

Não é um grande romance. É talvez até mediocre. Além de "A Filha do Capitão" e "A vida num Sopro" poucos são os livros que considero.

No entanto, José Rodrigues dos Santos, de uma forma superficial e simples, explica a toda a gente os motivos da crise profunda em que estamos mergulhados. Isso deve ser reconhecido. Já o tinha feito antes em todos os seus livros.

Excelente trabalho de investigação e comunicação. Extremamente inteligente e actual.

Nota: 4

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sputnik, meu amor - Haruki Murakami



Este foi o primeiro livro que li de Haruki Murakami. E o que posso dizer? Ao terminá-lo decidi ler a obra toda do maior escritor japonês vivo.

O livro fala-nos de amores impossíveis, amores invisíveis, medos, inseguranças, intimidade e histórias ainda por escrever.

A história centra-se à volta de três personagens principais. Primeiro, o narrador, professor do ensino primário, apaixonado por uma jovem de comportamentos bizarros, mas pura, culta e apaixonante, Sumire.
Por sua vez, Sumire apaixona-se pelo terceiro vértice deste triângulo amoroso, a glamorosa e misteriosa Miu, uma Mulher madura e experiente, de grandes posses.

O clímax deste livro é atingido numa viagem em o súbito desaparecimento de uma das personagens precipita a procura pelo destino.

Sputnik, Meu Amor, é um dos livros mais vendidos no mundo mas só se o devorarmos de fio a pavio é que nos permitimos encontrar a chave para o mistério.

Nota: 4