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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ham on Rye - Charles Bukowski



Há alturas das nossas vidas em que, ao olharmos para trás no nosso caminho, as memórias da infância e adolescência parecem ser longínquas, como miragens no deserto.

Este "Ham on Rye" serve para Charles Bukowski como expiação para memórias dolorosas dos seus jovens anos.

De uma crueza e dureza impressionantes, Bukowski traz-nos de volta a sua personagem mais famosa, o autobiográfico e errático Henry Chinaski. Neste romance explora as aventuras e desventuras de um jovem solitário, desenraizado, marcado pelo acne e pelos espancamentos brutais do seu pai, a crescer na cidade de Los Angeles dos anos 40 e 50.

Considerado por muitos o melhor livro de Charles Bukowski, "Ham on Rye", é basicamente o resumo do inicio da vida do autor em memórias. Cozido por uma simplicidade cortante e fascinante, este livro, deixa-nos marcas profundas na melhor compreensão do comportamento humano.

Nota: 5

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Assédio - Arturo Pérez-Reverte‏



Para os fãs de Arturo Pérez-Reverte este era um aguardado regresso. Um livro colossal em tamanho, em conteúdo, em personagens, em intrigas e, como não podia deixar de ser, em mistério.

Como se de uma partida de xadrez se tratasse, Cádis 1811, várias mulheres aparecem mortas e nesses mesmos locais cai uma bomba, acontecimentos enigmáticos que vão marcando um mapa pela cidade. Um mapa lógico orquestrado por um assassino misterioso. Todas as personagens são suspeitas, ninguém sai incólome, ninguém é dono do seu próprio destino.

Pérez-Reverte dá-nos as coordenadas para um romance único, com todos os condimentos por ele utilizados noutros romances. Todos condensados num só livro. Talvez a sua obra prima. Apresento-vos Assédio.
Brilhante.

Nota: 4

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Clube de Patifes - Dan Simmons



Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, Ernest Hemingway monta em Cuba, na Finca Vigia (a sua casa), juntamente com o agente do FBI Joe Lucas, um pequeno grupo amador de espionagem, patrulhando e observando as operações americanas e alemãs naquela pequena ilha das Caraibas.

Este "Clube de Patifes" de Dan Simmons foca os últimos dias da vigorosa existência do escritor, tratando-o como personagem principal de um romance de espionagem.

A pesca, as armas, os charutos, o alcool e o feitio especial de Hemingway são brilhantemente retratados nesta fantástica obra de ficção.

Um livro fácil de ler que nos leva a conhecer pormenores da biografia do melhor e mais completo escritor americano do século XX. Perfeito para os fãs de Simmons e do estilo de literatura de espionagem à le John Le Carré, essencial para os fãs de Hemingway. 

Quando comprei este livro torci o nariz de desconfiado mas, um fim-de-semana depois já estava triste por se ter acabado a aventura.

Nota: 4

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Adeus ás Armas - Ernest Hemingway‏


O "Adeus ás Armas" ou " A farewell to Arms" é, sem dúvida alguma (na minha pequena e boémia opinião), o melhor romance da literatura contemporânea.

Filho da pena do génio literário Ernest Hemingway e neto da "Lost Generation", este romance épico, de uma realidade bruta e de frieza crua, dá-nos a conhecer a história de um soldado americano, Frederic Henry, ferido por um morteiro durante a primeira grande guerra mundial. Enviado para convalescência em Milão, conhece a enfermeira Catherine Barkley, por quem se apaixona loucamente.

Por má fortuna, Henry, tem de regressar à frente de combate e acaba por desertar por não suportar a saudade do amor que cresce, dia após dia, por Catherine.

Frederic Henry anda fugido e é condenado à morte por traição até que, após um tempo de estrada, volta para os braços da sua amada, procurando exílio na neutra Suiça.

Este romance marcou-me profundamente. O estilo duro de Hemingway, em parte biográfico, explode-nos na cara como se de uma bomba de emoções se tratasse. De uma beleza cega, capaz de nos fazer apaixonar pela vida e pelo prazer do Amor. Uma obra ímpar do meu escritor preferido. Os romances de Hemingway são poemas aos Deuses. O meu livro preferido.

Há um mês atrás saiu no Expresso um anexo acerca dos 50 livros que temos que ler "obrigatoriamente". Para meu espanto, "O Adeus ás Armas" não constava (nem qualquer romance deste Senhor). Alguém anda a dormir na parada! E não sou eu!

É extremamente dificil para mim dar uma nota a uma obra-prima desta qualidade. Não o sei fazer (quem sou eu?) e nem sequer me atrevo a tentar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Palácio da Lua - Paul Auster‏



Sou suspeito quando falo de algum livro de Paul Auster, uma vez que li todos os livros traduzidos para português (vou ter a honra de vos apresentar neste espaço todos eles) e vi também os seus filmes (argumento e realização). Considero-me um fã do estilo e do autor.

Quando comprei este "Palácio da Lua" já levava uma bagagem considerável da obra deste escritor norte-americano que, volta não volta, visita o nosso país.

Esta história é a mais completa e pormenorizada de Auster, contando-nos a epopeia de Marco Stanley Fogg no conhecimento da sua própria história, da história da sua família, as suas origens como homem, desde a existência fugaz e solitária dos tempos de estudante em Columbia.

Mais uma vez, contado na primeira pessoa, com uma personagem quixotesca, à procura do sentido da vida, contra moinhos de vento, atravessando transversalmente o tempo e o espaço. Um viajante perdido que acaba por se encontrar num rio de peripécias e coincidências desaguando num "Palácio da Lua".

Nota: 5

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Memórias das Estrelas sem brilho - José Leon Machado‏



Num dia quente de Julho, quando tinha muito em mente, resolvi ir relaxar para a Fnac do Chiado. Nada melhor do um sitio fechado, quente e apinhado de gente para relaxar. Enfim, pelo menos livros não faltam, pensei eu.

Foi naquele momento, enquanto passava o casaco de um braço para o outro, que me deparei com a capa de "Memórias das Estrelas sem brilho". Um soldado português durante a primeira grande guerra desenhado a preto e branco. Os olhos vítreos daquele homem e a sua expressão perdida deixaram-me hipnotizado. Foi amor à primeira vista. Tinha que comprar o livro.

O autor é José Leon Machado e confesso que nunca tinha ouvido falar, mas a verdade é que li o livro numa noite. Fiquei completamente envolvido na sua escrita simples e ingénua e nas memórias e aventuras descritas no romance.

O livro conta-nos a história de um jovem português destacado para a Flandres em 1914, directamente para as trincheiras. As amizades e a camaradagem ímpar em tempos de guerra e a realidade dos veteranos do Corpo Expedicionário Português.

Desde então, nunca mais vi o livro à venda e tenho tentado um pouco por todo lado encontrar mais obras do autor. Infelizmente em vão.

Nota: 4

terça-feira, 2 de outubro de 2012

As Três Vidas - João Tordo



João Tordo transformou-se, com este livro, num dos meus escritores preferidos. Vencedor merecido do prémio Saramago, este jovem autor cria um clima de escrita único com uma teia misteriosa e cativante.

A escolha de uma personagem solitária, isolada, com voz de narrador, é própria deste autor que, tal como Paul Auster, aprofunda desta forma a identidade humana e aproxima os leitores da personagem principal.

Em "As Três Vidas", o narrador (personagem principal) é convidado para fazer um trabalho misterioso para António Millhouse Pascal, exilado numa casa no Alentejo, bebendo da companhia dos seus três netos e de labirínticos e misteriosos momentos.

A aventura começa aqui e, após a visita de estranhas personagens, a descoberta dos segredos do enigmático Millhouse Pascal e a paixão por Camila, a neta mais velha do seu patrão, levam o narrador a percorrer um caminho de descoberta, de destino incerto, do Alentejo a Nova Iorque.

O talento criativo de João Tordo em todo o seu esplendor. O seu melhor romance. Apaixonante.

Nota: 5

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

1Q84 - Haruki Murakami



Ninguém mais, para além de Haruki Murakami, consegue criar uma realidade imaginária ou um mundo alternativo e, ao mesmo tempo, ser tão sincero com o nosso tempo, com as nossas vidas.

Este romance épico de três volumes, bafejado de intenso impulso criativo, toma lugar em Tóquio, no ano de 1984 e explora a vida de duas personagens centrais muito especiais, Aomame e Tengo. Aomame, instrutora de artes marciais num ginásio local e Tengo, professor de matemática e escritor.

Aos poucos e poucos, a realidade vai-se alterando na vida destas duas personagens unidas pelo passado e pelo futuro. Pequenas alterações mas de sublime relevância, vão sendo sentidas, e conduzem Aomame e Tengo a um mundo paralelo no espaço e no tempo, iluminado por duas luas, onde todas as variáveis são questionadas, onde a liberdade se perde e a atmosfera se torna sombria, o ano de 1Q84.

Tudo começa quando, no ano de 1984, um editor de nome Komatsu, propõe a Tengo a revisão de um romance escrito por uma pródiga e estranha adolescente, chamada Fuka-Eri, intitulado "A crisálida de ar".
Ao mesmo tempo, Aomame é convidada por uma velha filantropa para assassinar um lider religioso e, quando viaja de taxi, pela autostrada, escolhe mudar de rumo e tomar um atalho a pé. Este pequeno pormenor vai proporcionar a Aomame uma visita a 1Q84. 

Numa fracção de segundos a realidade muda de forma e as nossas personagens caminham em direcção a um destino há muito deliniado.

Como pano de fundo, o autor debruça-se sobre a polémica das seitas religiosas e o mito dos mundos parelos, das realidades alternativas, a teoria platónica da realidade (essência) versus aparência.

O segundo e o terceiro volume da trilogia passam-se já em 1Q84 e têm como mote o possível encontro adiado de Tengo e Aomame, únidos por um amor capaz de derrubar fronteiras e, mesmo vinte e cinco anos depois do seu último encontro, as vidas de Aomame e Tengo vão-se tornando cada vez mais próximas.

Apenas uma nota negativa: por vários momentos da narrativa, nota-se que os livros foram traduzido do inglês, algo que não acontece nas obras mais antigas do autor.

Uma obra prima (cuidado porque vão ficar viciados) que certamente catapultará Murakami para o tão ansiado Nobel da Literatura. Para os iniciados ou viciados em Murakami, uma obra perfeita, insuperável.

Nota: 5

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A Conspiração dos Antepassados - David Soares‏


Penso que falo por muitos leitores quando digo que transformar Fernando Pessoa numa personagem de um livro é uma ideia brilhante.

Se adicionarmos a este facto uma história policial ou uma aventura cheia de mistério, de Lisboa a Sintra, da Tunísia a Londres, passando por reuniões secretas, seitas, e encontros místicos da Boca do Inferno à Quinta da Regaleira, temos uma fórmula de sucesso. É exactamente isto que nos é trazido por David Soares em "A Conspiração dos Antepassados".

A história é contada a duas vozes, Fernando Pessoa, poeta e místico português e Aleister Crowley, mágico inglês, cujo encontro em Lisboa se tornou polémico. Tem como sombra e pano de fundo o sebastianismo e o mito quinto-imperial, assim como as razões que levaram Portugal (e várias gerações) a perder a sua identidade em Alcácer-Quibir.

Excelentemente escrito e com forte segurança nas fontes documentais, este livro, apesar de pertencer ao mundo da literatura do fantástico, sacia também os amantes de História, Poesia e romances policiais.
Um livro viciante, ao bom estilo de Poe. Largamente recomendado.

Nota: 4

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Madrugada na tua Alma - Gabriel Magalhães



O tema da eterna procura do segredo que revelará o destino do povo português, povo escolhido por Deus para comandar o Mundo em direcção à eternidade, volta em grande com este romance de Gabriel Magalhães "Madrugada na tua Alma".

Entre alfarrabistas, solares e castelos, por todo o Portugal e passando também por Angola, Miguel Ângelo, personagem errante e desesperada, qual cavaleiro andante de suja armadura, desempregado e solitário, parte em busca de um livro esquecido que contém o grande segredo que vai retirar Portugal da obscuridade desta idade média contemporânea.

A escrita cuidada, eloquente e muitas vezes mágica de Gabriel Magalhães acrescentam ao romance uma luz apropriada à temática. Há passagens neste livro que me fizeram respirar melhor.

Este podia ser a grande obra do autor, depois de "Não tenhas medo do escuro" e Planície de Espelhos", mas, apesar de tudo o que já escrevi, a certa altura, o romance banaliza-se, as personagens perdem-se, saem da realidade da história contada, deixam de ser alimentadas, deixam de ser verosímeis, provocando um anti-climax frustrante no leitor.

Nota: 3

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Crime - Irvine Welsh



Os livros de Irvine Welsh são uma lufada de ar fresco criativo no panorama literário actual. Vale a pena perder uns dias (ou ganhar) a ler toda a obra deste escritor escocês.

Neste "Crime", Ray Lennox, detective escocês, viaja para Miami acompanhado da noiva Trudi, com o objectivo de passar umas férias tranquilizantes e aproveitando o facto para fazer uma limpeza dos vícios extremos de Edimburgo.

De personalidade vincada e atormentada (consequência de não ter conseguido salvar uma vítima de pedofilia num caso passado), com surtos e violentos ataques de pânico, Lennox, personagem já anteriormente utilizada por Welsh no seu aclamado romance "Lixo", acaba por não aguentar a pressão da viagem em vésperas do casamento, cede ás tentações da cocaína e do trauma, perseguindo potenciais pedófilos (os papa-anjinhos) por toda a Florida.

Um romance magistralmente construído, inteligente, de tendências Punk como toda a sua obra (desde "Trainspotting") e brilhantemente escrito. A não perder.

Nota: 4

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Prisioneiro do Céu" - Carlos Ruiz Záfon



Depois do sucesso de "A sombra do vento" e "O jogo do Anjo" chega-nos a ansiosa sequela. O livro que unirá todos os pontos e pontes da obra de Carlos Ruiz Zafón. Será o caso? Nem por isso.
Infelizmente torna-se difícil ao autor criar a narrativa interessante ou penetrante. Esse facto é marcante por toda a história.

Apesar de introduzir novas personagens ou aprofundar personagens intrigantes já introduzidas nos outros dois romances, este "Prisioneiro do Céu" acaba por se transformar no parente pobre da trilogia.

Apesar de tudo, é essencial sublinhar a bela e viciante escrita de Záfon, trazendo à baila o estilo de romance gótico, pouco explorado na escrita contemporânea e facto notável. Provavelmente este livro serve para o autor dar o salto para uma obra maior, um romance de transição, mas decepcionou-me. Esperava muito mais. Quando acabei o livro ficou uma sensação estranha de vazio. Vale a pena? Vale, sem dúvida, mas preparem-se para sentir o mesmo.

Nota: 3

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Norwegian Wood - Haruki Murakami



Forçado a escolher entre um amor passado e um amor futuro, Toru Watanabe, vive no início da sua vida adulta um período inquietante. Preso a Kizuki (namorada do seu melhor amigo de infância) e a uma noite fatídica, a personagem principal deste romance flutua no espaço e no tempo, entre estranhas amizades, perturbantes acontecimentos e um novo amor, de nome Midori.

Tal como Watanabe, apaixonei-me também por Kizuki e pela sua casta e dependente existência, mas não pude deixar de me arrebatar com a irreverência e emancipação de Midori. Lados opostos da mesma moeda.

Voltando à polémica temática do suicídio, Haruki Murakami, escreve, na minha opinião, o seu melhor livro, evitando a criação de mundos alternativos e cenários profundamente alegóricos. Nenhum outro livro deste fantástico romancista, eterno candidato ao Nobel da Literatura, consegue igualar o estado de sobriedade aqui criado.

Este livro demarca-se da maioria da obra imaginária de Murakami, com a produção de personagens quotidianas com problemas actuais e mundanos.

Usando como titulo e mote uma música dos Beatles, Norwegian Wood, inquietou-me, trouxe-me momentos de reflexão e, no final, proporcionou-me uma serenidade terrena e pura, trazendo-me de volta.

Nota: 5

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Diário de Inverno - Paul Auster



Para os Austerianos este era um dos livros mais esperados do ano, especialmente depois do “Palácio do Lua” editado pela Asa, em 2011.

Passei o ano todo, como fiel Austeriano, à espera deste “Diário de Inverno”, livro de memórias íntimas (demasiado íntimas até) e, ao fim de 2 dias, fui devorando todas as estórias reais com um único protagonista, o autor.

À semelhança de “Experiências com a Verdade”, “Inventar a Solidão” e “Da Mão para a Boca”, esta obra funde o autor com a personagem, e traz-nos, Paul Auster, o Homem, o artista, o escritor, o contador de histórias.

Apesar da base intimista de um livro de memórias, ficamos a conhecer, de lés a lés, um Paul Auster maduro (da infância conturbada, passando pela adolescência e primeiros anos como tradutor em Paris, até aos dias de hoje), com vontade de aprofundar a sua obra, levando-a a limites e fronteiras raramente exploradas por outros escritores.

Ficamos a conhecer melhor um escritor talentoso, mas, acima de tudo, aprendemos a gostar ainda mais de alguém que, como todos nós, pertence ao mudo real. Cresceu, sofreu, amou, foi amado, errou, arrependeu-se, fodeu, aprendeu, escreveu e num só tom, viveu.

Esta fusão de acontecimentos tem, como pano de fundo transversal, a ordem cronológica das casas onde viveu, as pessoas (personagens) que conheceu e os segredos mais escondidos da sua família, tornando “Diário de Inverno” num livro de leitura obrigatória.

Nota: 4

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Verão Quente - Domingos Amaral



Bem versado no domínio do romance histórico, Domingos Amaral traz-nos "Verão Quente"com uma prosa vanguardista e actual, bastantes diálogos e breves, mas distintas, descrições.

Domingos Amaral conta-nos a história de Julieta, condenada pela violenta morte do seu marido, Miguel e irmã Madalena, durante o famoso Verão quente de 1975, no contexto pós-revolucionário, num cenário de nacionalizações, saneamentos e ocupações de terras.

Cerca de vinte e oito anos depois, Julieta é uma cinquentona cega (consequência do suposto assassinato), mãe de Redonda, mulher de uma beleza explosiva, mas infeliz com o seu casamento com Tomás.

Em retiro espiritual, num Hotel Spa, cruzam caminho com o narrador desta história, que se apaixona loucamente por Redonda e propõe-se a investigar a história de Julieta com o objectivo de descobrir a verdade. O objectivo é escrever um livro, este livro.

Entranhado nos labirínticos segredos desta família e a sua relação com o Verão quente de 1975 e as suas principais personagens, o nosso narrador mergulha numa aventura policial novelesca.

Apesar de ser, na minha opinião, o livro mais fraco de Domingos Amaral,este romance policial e histórico leva-nos a uma época pouco explorada pela ficção portuguesa, facto importante que devemos salientar. A narrativa é interessante, apesar de simplista.

Nota: 3 

Anatomia dos Mártires - João Tordo


Num cenário de infeliz falta de pontos de referência sociais e ideológicos, de falta de heróis, ícones culturais e sociais, um jovem jornalista ambicioso tenta entender a verdade e a motivação escondida nas memórias do um mártir de uma ditadura de quase cinquenta anos.

Durante esta sua senda escreve um artigo polémico, que após a sua publicação tem resultados desastrosos para sua vida.

Nesta "Anatomia dos Mártires" é explorado até mais não o mito de Catarina Eufémia, o consequente aproveitamento partidário de um mártir da história de Portugal, durante o Estado Novo.
Não consigo entender como este é considerado o melhor romance de João Tordo!

É um facto que a sua escrita é mais madura, mas isso é pouco, muito pouco. Na minha singela opinião é o pior romance do autor e é um castigo demasiado grande ler este livro depois de ler "Hotel Memória", "3 vidas" ou mesmo "Bom Inverno".

Compreendo o contexto da obra e do autor, mas um jornalista obcecado por um mito ideológico que limita a sua vida pessoal e profissional até à exaustão é, enfim, há falta de melhor adjectivo, exaustivo.

O tema dos mitos e dos mártires e o aproveitamento político e social que é feito dos mesmos é um tema profundo e actual, mas a forma como é espremido nesta obra retira-lhe a essência, complica-a e esconde-a, ficando aquém do esperado.

Nota: 2

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Sul da fronteira, A Oeste do Sol - Haruki Murakami


Num registo simples, recheado de metáforas deliciosas, recorrendo ao uso de uma prosa poética nas descrições do Japão da segunda metade do século XX, Haruki Murakami traz-nos “A Sul da fronteira, A Oeste do Sol”. Livro editado no Japão, no início dos anos noventa (1992), conta-nos a história de Hajime e Shimamoto e um amor impossível, debutado no princípio da adolescência, recortado pelas agrestes contingências da vida e retomado vinte e cinco anos depois.

Como uma tragédia sem Clímax mas com um toque de sobriedade especial, esta obra faz-nos sonhar. Já todos nós imaginámos, em alturas diferentes da nossa vida, como teria sido se tivéssemos tomado um caminho, um rumo diferente e quais seriam as sequelas. Simplesmente brilhante.

Nota: 4