sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Novembro - Jaime Nogueira Pinto

É difícil descrever este romance de estreia do Jaime Nogueira Pinto sem o elogiar de forma repetitiva.
Esperei vários dias para saber o que escrever, mas foi enquanto ouvia o "Siegfried" do Richard Wagner na noite passada que me ocorreram as palavras correctas (ou quase correctas) para vos demonstrar o que ainda sinto depois de me ter apaixonado de forma inconsciente pelas 634 páginas deste livro de proporções épicas.

Muitos foram os que sonharam em descrever os acontecimentos que ocorreram entre o Verão de 1973 e os últimos meses de 1975. Por vários motivos, mas principalmente cobardia, ou melhor, falta de coragem, porque sou (em demasia) politicamente correcto. Poucas são as pessoas que respiram e transpiram ideias e opiniões do outro lado da barricada. Muitos foram silenciados e outros tantos comprados. Outros fugiram e nunca voltaram. Outros vivem na sombra da grandeza dos acontecimentos.

Ligamos o período referido à pré-revolução dos cravos, à revolução propriamente dita, que encerrou quase meio século de regime totalitário neste Portugal de brandos costumes. Poucos sabem o que foi o PREC, as nacionalizações, as prisões, os saneamentos, as ocupações, a reforma agrária.

No entanto é quase nula a percentagem de pessoas que sabe o que foi a contra-revolução, a reacção, a luta ideológica de uma direita dividida, perdida, afogada na incapacidade de união. Não sabem que o Portugal quinhentista, o Portugal Imperial, o Portugal "Portugal", grande nação, pátria de heróis, acabou no fadidico mês de Novembro de 1975.

Enfim. A ignorância foi imposta por uma história adulterada pelos "vencedores" de um 25 de Abril de 1974 ou um 25 de Novembro de 1975 que nunca tiveram a nobreza para contar a verdade, que nunca lutaram pelos seus ideais. Desculpem, mas apenas lutaram pela liberdade revolucionária ou por uma miragem de se tornarem um colonato secundário de uma Europa apodrecida.

Jaime Nogueira Pinto, Homem que considero e respeito, põe a nu o outro lado da "Revolução". O suposto lado escuro e fascista dos que combateram a "liberdade"(foi assim que nos ensinaram).
Num exercício doloroso expõe mitos e expia feridas nacionais profundas de um Portugal embaraçado pela grandeza do que já foi e nunca mais será. Agora um pequeno rectângulo, cada vez mais perdido e cada vez menos independente.

Autobiográfico sem dúvida. Um pouco do autor em todas as personagens de relevo. Em Henrique, em Alexandre, em Eduardo. Todos eles sonhadores. Todos eles realistas e idealistas. Todos eles reaccionários. Todos eles portugueses de honra e nobreza. Sem medo.

Adorei. 
 
Obrigado Professor.

Nota 5

4 comentários:

  1. Tenho este livro para ler e estou ansiosa para ter algum tempo de qualidade para me dedicar a ele. Então depois da sua opinião, ainda mais entusiasmada fiquei. ;)

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  2. Obrigado pela participação! Este é o grande romance de inicio do século XXI português.

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  3. Desconhecia este livro.Mas vou comprar e ler.Jaime Nogueira Pinto é alguém com quem me identifico muito.

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  4. Comprei e li sem parar.Tal como JMP nunca me confirmarei à destruição de Portugal q nos trouxe até isto q hoje sofremos.Se me ler,Dr.JNP saiba q muitos desconhecidos como eu sentem como o senhor.Obrigada pelo belo relato q neste livro nos faz e pelos sentimentos patrióticos que nele,aos vindouros,perpetua.

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